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Alta do preço do algodão fragiliza o setor têxtil

Redação 15/02/2011 as 02:00
Texto Economia

Matéria-prima para a indústria têxtil e confecções, o algodão tem tirado o sono dos empresários. Com o produto escasso e o preço quase que triplicando no último ano, muitas fábricas têm sentido o golpe e estão parando temporariamente a produção, colocando funcionários em licença remunerada. Para o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, o problema deverá continuar afetando o setor até a chegada da nova safra, prevista para maio. Segundo Pimentel o preço da matéria-prima está três vezes maior do que o praticado no ano passado.

O diretor da Abit disse que esse valor não tem como ser repassado diretamente ao consumidor "do dia prá noite. É praticamente impossível. O o empresário que fizer isso estará decretando falência antecipadamente".  Além do preço do algodão, a concorrência chinesa, o câmbio desfavorável e o peso da carga tributária, Fernando diz que para o Brasil amenizar um possível agravamento desta situação, num prazo estimado entre cinco e seis anos deverá promover grandes transformações na infra-estrutura e no ambiente competitivo.

O ano de 2010 foi considerado ótimo para a economia brasileira, mas para o setor têxtil, conforme Fernando, ficou abaixo do PIB, o que geralmente em anos anteriores sempre ficou em condições semelhantes, como o varejo, que teve um crescimento de 11%; e as importações, que cresceram mais de 40%. O setor têxtil, em 2010, teve um crescimento bem abaixo do esperado, ficando entre 5% e 6%.

Num patamar otimista, o diretor-presidente da Abit diz que o setor neste ano de 2011 poderá chegar próximo a 3% e 3,5% de crescimento. Como a atual taxa de câmbio não está estimulando o empresariado a investir na exportação, um dos caminhos que as empresas brasileiras podem adotar é investir no mercado interno. Questionado quanto ao aumento do déficit da balança comercial no País, e se é possível ser revertida essa situação, Fernando disse que sim, "porém, não será de forma rápida".  

Falando especificamente sobre Santa Catarina, o diretor destacou alguns pontos que influenciaram no aumento do déficit acima da média nacional. Entre esses, ele destacou a diminuição drástica na exportação dos produtos de cama, mesa e banho, e o regime especial para importações, o programa Pró-Emprego.


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